Blog do Jay

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Sexta-feira, Janeiro 29, 2010

Outros

Ainda me lembro dos amigos que perdi,
Foram muitos, muitas vezes até de mais,
Nesta vida sei que ainda muitos irão,
Mas prefiro pensar no presente,
Obviamente com um gostinho de saudades,

Muitos se foram, alguns morreram,
Outros só ficaram pelo caminho,
Tiveram os que a escola levou,
Novamente "os outros", a vida que tirou,
Alguns eu já bem sabia que não iriam continuar,
Até experimentei insistir, mas passos dados,
São caminhos marcados.

Entre "mas, outros e muitos", lembro me de alguns,
Da empolgante dançarina de dança do ventre,
Achei que era pra sempre, até acreditei nisso,
Mas entre planos e objetivos, nada restou
Sinceramente, até lamento, antes de vir a possível esposa,
veio a já decidida madrinha, sabe como são escolhas

Lembro-me muito bem de outro, entre brigas, boas brigas,
Era o meu verdadeiro parceiro de escola, antes no futebol,
Depois de tantos anos de convivência, os últimos anos
foram os melhores, havia diálogo, era outra pessoa, quando
não estavamos em grupo, mas sua falta de escolhas,
o deixou para trás

E o desenhista, esse é a maior das desilusões, dos meus pobres
quatro anos até a década e meia seguinte, lá esteve, mas
nem a proximidade familiar foi capaz de segurar, até
desenhar aprendi ao lado do meu primeiro irmão,
a minha escolha de vida, era pra ser sua, mas tudo bem
acho que em determinado momento quis mais, fica a boa lembrança

Também tiveram os que não precisam daqueles "mas"
A menina de cabelos escuros e sorriso claro
da subida da escola, saiu cedo do meu convívio, mas
sempre esteve lá, esqueceu e me surpreendeu em um dos meus
aniversários, a mãe uma pintora maravilhosa, o pai apesar
da simpatia ainda sinto o mesmo medo, a irmã por muitos momentos
até minha foi, mas ela, até na distância, manteve seu espaço,
acho que foi o grande símbolo da minha mudança, a saudade fica
das músicas cantadas, do que aprendi, do que vivi, mas principalmente da alegria,
talvez escrevesse sua história, por saber o quanto merece,
às vezes queria parar e ouvir dela o que foi feito nesses anos,
lá se vão oito anos, mas ainda arranja tempo para duas ou três boas palavras,
a irmã que sonhei e de certa forma a vida me deu, talvez a pessoa
que mais me encantou na vida, nunca houve dia ruim, nunca houve o nunca
nos dias que convivemos, fui algumas vezes na sua casa, ela, assim como
outros, na minha ainda não, mas sabe onde estará em poucos anos, quando
chegar o próximo passo,


Tento sempre pensar nos que ficaram como "os verdadeiros",
mas prefiro esquecer os rótulos, não há mentira nos que se foram,
há somente a opção por caminhos diferentes,
Todos tem em cada momento a sua verdade, e de certa forma
acredito que os primeiros ainda lembram das boas histórias

Dos que ficaram, mas nem tanto, tem a que a faculdade afastou,
mas essa volta, é a famosa amizade eterna, a estrada ainda é bem longa,
todavia no momento certo, ela cruza com a minha, sobrevive os
bons dias de conversa, os segredos que ainda não consigo esquecer, após
tantos anos, fica tanta coisa, com essa caminhei um pouco mais,
dividimos boas histórias, o carinho sei que é recíproco, um dia
a amizade é brindada com um bom reencontro

Não pensei em poesia, hoje não,
pensei mais como um relato,
relato das saudades que muitos deixaram,
Engraçado como os presentes em nossas vidas, tem cheiro de
história, de passado, é o amigo que nunca me faz esquecer
de onde eu vim, o único que sabe e partilhou da minha real história,
Ver alguns deles é querer rir sobre o passado, mas construímos
tantas histórias que não pensamos tanto nele,

É a mãe de toda uma geração responsável pelo encontro deste grupo,
que não me atrevo a escrever uma linha a mais, por medo de não
fazer jus ao retrato que tenho em meu coração, é a irmã que ganhei com ela,
é o verdadeiro e mais puro irmão que a vida ainda conseguiu me enviar
no fechar dos portões da escola, são as namoradas que complementaram
nossas histórias, e as outras que ainda irão complementar,

Foram jogadores, leitores, estudantes, estudiosos, filósofos,
até uma excelente escritora, infelizmente ainda não vimos
juntos a beleza do parque, eu vi sua história e dividi a minha,


As nossas histórias ainda estão só no início,
mas é tão estranho ver que nem todos ficaram, ficarão
Os eternos estão aí, mas os inesquecíveis também, vivendo
um momento a mais em meus pensamentos.

Quarta-feira, Março 18, 2009

Flor de Cerejeira

Flor de cerejeira desprenda-se da árvore de sonhos,
Permita me desgarrar num sutil salto de liberdade
Da vida nada quero, dos frutos puro sabor,
Amor, amor flor de cerejeira,
Desabrocha ao entardecer obcecado da minha paixão verdadeira
Doce sabor, nobre prazer das sensações,
Inquietude nos oceanos de flores estreitas,
Ah flor de cerejeira

No halo rosado que envolve teus sutis lábios,
A espreita meia luz contorna seus internos meandros rasteiros
Da vida nada quero a não ser o néctar de frutas vermelhas,
Do insolúvel amor, flor de cerejeira,

Desejo os frutos inocentes, em ti tão róseos, com destreza
Desprenda-se da árvore, acima o horizonte é teu, aos prantos do prazer linhas inteiras
Veja o vazio, entrelace tortuosamente, encharcada rosa flor de cerejeira

Ao fôlego despede-se do límpido umedecer,
Emaranhado por vias ocultas outrora estreitas,
Sorrateiramente efêmeros sussurros desaforados,
Que não outra flor de cerejeira.

Domingo, Outubro 14, 2007

3:21am

3:21 esta foi a hora real e exata que perdi meu avô, estranhamente senti a sua letargia ao ser tomado por um arroubo assustador que subiu friamente pela espinha, ninguém me ligou, ninguém me avisou, o sentimento gélido me acordara para dizer que uma vida se esvaía, após isto foram 8 ataques cardíacos, a luta permaneceu até às 14:10 de uma nefasta véspera de feriado, morreu como uma mártir, travando a maior batalha que sua prole acompanhou durante as 5 noites mal dormidas que nos ofereceram, à nós sua força e determinação tocou tão profundamente, que em conjunto sofremos e acordamos mesmo sem avisos para dizer à deus, o nosso patriarca, tão ilustre para aqueles que o conheceram, morreu como tantos outros que esperaram por uma breve justiça divina, infelizmente não veio, repito, não veio àquele que mais mereceu.

Meu avô era homem simples, de traços fortes, senhor do interior, viveu e morreu na vida rural que tanto amou, gostava das coisas brandas, o cheiro da terra estava em seu corpo, seu rosto tão marcado pelas linhas da idade, não viu chegar a idade, foi jovem, a vitalidade era vista nas veias que carregaram o sangue de uma geração que sonhava com seus sorrisos, com suas histórias ribeirinhas, sua hombridade era notável, em seu leito de morte, seus sonhos e desejos eram voltados para aqueles que choram sua partida.

A vida fica mais curta, os versos não são ou serão versados, não tem magia em escrever sobre a morte, só empunho a caneta para oferecer à quem me deu sentido a vida, uma mera transcrição do que sempre quis te contar, do amor que vi em seus olhos, em cada abraço, em cada lágrima, do exemplo que foi a cada atitude nobre que partilhei, lamento o hoje, queria ter convivido mais contigo, queria te mostrar alguns dos meus sonhos, queria mais e mais, ao seu lado eu só queria, porque sei que ao seus pés, pisaria pelas mesmas pegadas vitoriosas e honrosas que um dia espero te orgulhar ao seguir seus ideais e caráter.

Veja do céu anil que hoje amanheceu que eu te amarei por toda a eternidade, é que você é tudo que me espelho nesta vida.

Terça-feira, Setembro 25, 2007

Teoria da Inteligência

A inteligência pode ser dividida em 3 pontos de análise que justificam a classificação entre inteligência total e parcial, a última quando o ser não atinge os 3 pontos vitais da teoria.

Pontos de Análise:

Recebimento da informação: este ponto está baseado no aspecto comportamental, onde o ser adquire o constante desejo de entrar em contato com novas idéias, não se sentindo descontente ou impaciente. Tem prazer em ouvir e conhecer novas coisas.

Interpretação: o ser após receber as informações desenvolve a habilidade analítica, fazendo analogias e desfrutando de um leque de informações que possam gerar um entendimento completo do conceito, busca ampliar o universo conceitual não se prendendo somente a informação recebida.

Criação: os dois primeiros conceitos fazem parte de uma inteligência ainda parcial, comum à sociedade, mesmo atingindo o 2º item onde já podemos considerar elevado, é neste item que o ser alcança o auge, o domínio sob os processos conceituais, o ser recebe as informações, faz as interpretações necessárias e daí desenvolve as idéias, podendo confrontar ou simplesmente dar seqüência ampliando e explorando conceitualmente, neste ponto o ser é diferenciado, estuda idéias já produzidas para desenvolver suas próprias idéias, ou cria um novo conceito, atinge o domínio conceitual através de análises sociais, culturais e filosóficas, deixando de ser um consumidor e se tornando um produtor.

Se o ser não tiver domínio destas 3 aptidões está num estágio parcial, suscetível a uma evolução natural das idéias. A inteligência total é assim colocada quando a pessoa chega ao ponto de dominar as 3 aptidões necessárias.

Segunda-feira, Setembro 10, 2007

Voar e Sobrevoar

Quando podemos dizer que a batalha acabou, a responsabilidade é transferida, a busca incessante pelo desconhecido é abandonada, as incertezas, a sensação de vazio passa, a vida não precisa de complemento, sobre a sombra da incerteza mundana afirmo claramente não saber.

Sinto-me voando, não há mais o peso das dúvidas, nem tudo pode ser planejado, há dias que preciso me lançar ao nada para encontrar o sentido da vida, sobrevoar o nada, sem o tudo na bagagem, certezas são para os inseguros, eu vôo pelas dúvidas, me agarro à algumas para descobrir novos caminhos, novos dias, sem a alegria tenebrosa da rotina.

Sobrevôo como se assim fizesse pela primeira vez, é novidade me sentir tão livre, descobri a brisa que paira sobre a minha vida, daqui o ar é mais interessante, até o Sol é mais atraente, tudo tem energia, estive tão preso que definhei em meio as desilusões lúdicas e nefastas.

Ainda lamento o tempo do cárcere de sonhos, ao voar, ainda sinto alguma dificuldade com as minhas intenções, tudo é interessante, mas ainda preciso me agarrar a algo para desabar novamente no vazio a qual fui levado. Voei e sobrevoei para a liberdade, e não encontrei o nada a qual desejei bater asas, voar e sobrevoar.

Quarta-feira, Agosto 29, 2007

Partilha

A vida se apresenta na face das desavenças da saudade, a tão profunda e penetrante saudade, magnânima na lembrança dos seres que ousaram viver além de um fugaz segundo, estenderam seus amores, suas aventuras, seus momentos e realçaram a impotente vontade de voltar no tempo e reviver o que poderia não ser revivido se assim soubessem que partilhavam do inesquecível.

Pessoas se apresentam em suas estranhezas diante das lembranças, reúnem-se para falar do passado como forma de repor as saudades da já não compartilhada presença, passíveis da impossibilidade de ir além do contar histórias miraculosas que inviabilizam a percepção dos outros que não viveram a já dita partilha.

As histórias ganham poder diante da responsabilidade que um alguém tem de marcar a vida de um outrem, o pesar da saudade é ressaltado nas frases já preparadas que alguém um dia ousou sofrer e inventar, organizando e nomeando a incapacidade da vida de tornar todos os seus momentos inabaláveis. São as frases do nada com o nada, do vazio que nos deixa tão pequenos sob o turbilhão de sentimentos que ferozmente nos assola em meio a noites mal dormidas, nos inunda de algo que não é se não a nossa singularidade, a saudade.

Trocando passos em todas as direções sinto como se o peso das saudades me fizessem seguir pelas mesmas pegadas, como se não haverá o novo, como se as saudades presentes, do meu passado fossem meu único caminho para o futuro que se repete diante das minhas lembranças, a vida é o espelho da alma, e a minha agora definha refletindo minhas saudades.

Do alto do Azul

Daqui, do alto do amor, vejo o azul do mundo se desenrolar, tão grande quanto a última vez que voei ao ser inundado de paixões e feições tão suas, minimamente próprias ao acaso da nuvem que ousou cobrir o azul nú que me embriagava a cada suspiro desaforado, das vibrações do seu corpo sinuosamente entrelaçado ao meu.

Daqui, do alto do amor, tudo parece tão azul, me apequeno diante das manifestações do teu corpo, sinto o esfregar do teu corpo diante do meu toque, suas pernas correm ferozmente como uma locomotiva que perde-se nas curvas sinuosas que um outrem ousou descobrir.

Daqui do alto do entrelaçamento de nossos corpos ao serem lançados no azul, esqueço-me das avarezas que o mundo me oferece ao levantarmos do tapete de sonhos, sussuros e gemidos. O tapete aproxima nossos pés que riscam-se tão sexualizados enquanto você comprime o corpo, aperta os lábios e se desfaz do folego de outrora, agarra-se ao tapete de sonhos e não abdica do direito de amar. Seu perfume vaga pelo horizonte azul que construí para eternizar momentos e paixões;

Daqui do alto do amor, nossos corpos quentes rompem com as convenções sociais, e informalmente aguardam a próxima vez pra ver o imenso azul, minhas mãos trêmulas descem da locomotiva e agora o azul secretamente, chove.

Quinta-feira, Junho 07, 2007

Lucas Toscano

À Lusca Toscano

O projeto de conclusão de curso dedico à figura de Lucas Toscano, um amigo fiel, irmão pra todas as horas, um mito que ficou, infelizmente, pelo caminho, que de certa forma me ajudou a compor este projeto. Um mito, um ser iluminado, que será lembrado pela minha geração, pela minha prole, histórias serão lembradas, pelos tantos amigos, imortal no coração e na lembrança dos que sofreram sua perda.

Sua habilidade será eternizada para aqueles que viveram nem que seja um fugaz segundo ao seu lado e o céu deve ter ali conclamado sua chegada, sinos soaram para anunciar a chegada daquele que partiu deixando mais que saudades, deixou uma história, que como os grandes será eternizada nas estrelas.

Da política a Filosofia suas palavras ouvi, aprendi muito, no meu discurso enxergo suas idéias, com seus traços redesenhe o mundo, pinte o céu da forma mais bela que puder e ao descansar sua paleta de cores, venha espiar aqueles que transmitirão seu legado aos que não tiveram o prazer de te conhecer.

Ao mico-leão-dourado escrevo, fique em paz, diz: mico leão preto.