Do alto do Azul
Daqui, do alto do amor, vejo o azul do mundo se desenrolar, tão grande quanto a última vez que voei ao ser inundado de paixões e feições tão suas, minimamente próprias ao acaso da nuvem que ousou cobrir o azul nú que me embriagava a cada suspiro desaforado, das vibrações do seu corpo sinuosamente entrelaçado ao meu.
Daqui, do alto do amor, tudo parece tão azul, me apequeno diante das manifestações do teu corpo, sinto o esfregar do teu corpo diante do meu toque, suas pernas correm ferozmente como uma locomotiva que perde-se nas curvas sinuosas que um outrem ousou descobrir.
Daqui do alto do entrelaçamento de nossos corpos ao serem lançados no azul, esqueço-me das avarezas que o mundo me oferece ao levantarmos do tapete de sonhos, sussuros e gemidos. O tapete aproxima nossos pés que riscam-se tão sexualizados enquanto você comprime o corpo, aperta os lábios e se desfaz do folego de outrora, agarra-se ao tapete de sonhos e não abdica do direito de amar. Seu perfume vaga pelo horizonte azul que construí para eternizar momentos e paixões;
Daqui do alto do amor, nossos corpos quentes rompem com as convenções sociais, e informalmente aguardam a próxima vez pra ver o imenso azul, minhas mãos trêmulas descem da locomotiva e agora o azul secretamente, chove.

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