Blog do Jay

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quarta-feira, agosto 29, 2007

Partilha

A vida se apresenta na face das desavenças da saudade, a tão profunda e penetrante saudade, magnânima na lembrança dos seres que ousaram viver além de um fugaz segundo, estenderam seus amores, suas aventuras, seus momentos e realçaram a impotente vontade de voltar no tempo e reviver o que poderia não ser revivido se assim soubessem que partilhavam do inesquecível.

Pessoas se apresentam em suas estranhezas diante das lembranças, reúnem-se para falar do passado como forma de repor as saudades da já não compartilhada presença, passíveis da impossibilidade de ir além do contar histórias miraculosas que inviabilizam a percepção dos outros que não viveram a já dita partilha.

As histórias ganham poder diante da responsabilidade que um alguém tem de marcar a vida de um outrem, o pesar da saudade é ressaltado nas frases já preparadas que alguém um dia ousou sofrer e inventar, organizando e nomeando a incapacidade da vida de tornar todos os seus momentos inabaláveis. São as frases do nada com o nada, do vazio que nos deixa tão pequenos sob o turbilhão de sentimentos que ferozmente nos assola em meio a noites mal dormidas, nos inunda de algo que não é se não a nossa singularidade, a saudade.

Trocando passos em todas as direções sinto como se o peso das saudades me fizessem seguir pelas mesmas pegadas, como se não haverá o novo, como se as saudades presentes, do meu passado fossem meu único caminho para o futuro que se repete diante das minhas lembranças, a vida é o espelho da alma, e a minha agora definha refletindo minhas saudades.

Do alto do Azul

Daqui, do alto do amor, vejo o azul do mundo se desenrolar, tão grande quanto a última vez que voei ao ser inundado de paixões e feições tão suas, minimamente próprias ao acaso da nuvem que ousou cobrir o azul nú que me embriagava a cada suspiro desaforado, das vibrações do seu corpo sinuosamente entrelaçado ao meu.

Daqui, do alto do amor, tudo parece tão azul, me apequeno diante das manifestações do teu corpo, sinto o esfregar do teu corpo diante do meu toque, suas pernas correm ferozmente como uma locomotiva que perde-se nas curvas sinuosas que um outrem ousou descobrir.

Daqui do alto do entrelaçamento de nossos corpos ao serem lançados no azul, esqueço-me das avarezas que o mundo me oferece ao levantarmos do tapete de sonhos, sussuros e gemidos. O tapete aproxima nossos pés que riscam-se tão sexualizados enquanto você comprime o corpo, aperta os lábios e se desfaz do folego de outrora, agarra-se ao tapete de sonhos e não abdica do direito de amar. Seu perfume vaga pelo horizonte azul que construí para eternizar momentos e paixões;

Daqui do alto do amor, nossos corpos quentes rompem com as convenções sociais, e informalmente aguardam a próxima vez pra ver o imenso azul, minhas mãos trêmulas descem da locomotiva e agora o azul secretamente, chove.